Alguns meses atrás eu tive uma idéia e compartilhei com meu professor Rogério Rodrigues. Comecei a pensar na morte do meu avô e na importância da trajetória de vida dele para toda a minha família. Pensei muito e percebi algo que passa despercebido, pela história de nossas vidas. Matriarcas e patriarcas se vão e nada sabemos sobre seus temores, sonhos, lutas, lágrimas, erros e tantas coisas que trariam tanta maturidade aos nossos corações. Foi então que decidi escrever sobre meus pais, pedir a eles que relatem com riqueza de detalhes suas maiores frustrações, momentos desesperadores, alegres e assim eu poderia entendê-los não apenas como meus pais mais como homem e mulher. Os anos são inevitáveis e um dia (espero que muito distante) não teremos ao nosso lado esse tesouro (Papai e Mamãe).
Eu adoraria que minhas palavras não fossem apenas carregadas de afeto mais que produzissem algum tipo de mudança após uma humilde reflexão.
Minha amiga Kelly perguntou-me certa vez o motivo da minha decisão em ser como sou, disse a ela que foi o sofrimento que me forjou e continua sendo assim porque não quero esquecer o que passei, pois só assim a minha ética cristã não passará. Além da minha idéia eu gostaria de compartilhar sobre alguém muito mais muito importante na minha vida e que eu amo de paixão, minha mãe.
No dia seis de dezembro de 1987 nasce no hospital de Taguatinga uma simples cidade satélite de Brasília, capital do Brasil, uma menina chamada Cristiane Celeste de Souza após alguns anos acrescentariam o nome Abrantes.
Há quase vinte cinco anos atrás o preconceito era algo nojento e muito enraizado na sociedade. Para uma família naquela época ter uma filha mãe solteira era uma vergonha incomparável. Mamãe enfrentou a fúria do meu avô que a agrediu muito verbalmente e fisicamente pela grande “tragédia". Após meu nascimento o pai da mamãe tinha alguns ataques momentâneos de fúria e certa vez nos expulsou de casa, mamãe e eu (ainda bebê) dormimos na rodoviária do plano piloto. Recordo-me com imensa gratidão da minha infância apesar de ter convivido pouco com mamãe, pois ela trabalhava no Hospital como copeira e para me dar o melhor cobria sempre quem precisava para ganhar mais dinheiro. Enquanto isso na minha vizinhança eu era apelidada pelas solenes e distintas senhoras casadas como a filha sem pai, a órfã, trombadinha e minha mãe como meretriz, destruidora de lares, ladra de maridos. Infelizmente aquelas pessoas eram tão pobres de espírito que só enxergavam a si mesmas e seus valores medíocres de uma sociedade que há muito não sabia o que era nobreza. Tive os melhores brinquedos, as melhores roupas e principalmente um amor incondicional provindo de uma pessoa honrada que soube lutar por mim ao invés de me abandonar.
Meus tios adolescentes cuidavam de mim e o resultado disso é que eu brincava muito e eles tinham preguiça de me dar banho, então lembro que quando minha mãe chegava ela me via suada dormindo e pegava uma fralda molhada para me limpar enquanto dormia e ela chorava e me pedia perdão por não poder estar comigo como tanto gostaria. Existiu outro fato muito lindo que ocorreu quando eu tinha 6 anos, na formatura do jardim, a empresa não havia pago o salário e minha mãe se atrasou na ida para a minha escola, tentou negociar com eles afinal a ordem era pagar à vista. Eu vi quando ela chegou e as professoras já haviam me deixado na sala sem a beca, vi quando mamãe se humilhou para elas oferecendo cheque e prometendo o pagamento no dia seguinte. A formatura aconteceu e eu participei graças ao amor da pessoa mais linda que Deus poderia me dar como mãe.
Caro leitor, será que existem motivos suficientes para que seu comportamento com relação aos seus pais mude? Será que eles sabem o quanto você os ama? Você seria capaz de honrá-los no trato e nas suas atitudes? Será que existe tanta arrogância em seu coração que até suas palavras são ásperas em direção a eles? Filhos brilhantes entendem a verdade da sabedoria contida nos conselhos dos pais e sabem que eles mais do que quaisquer pessoas querem apenas que o filho (a) seja feliz.
Toda doçura que existe no meu ser provém de Jesus e Ele me mostrou todo o seu amor ao me dar Celia da Conceição Sousa como minha linda flor mamãe.
Mãe eu não te mereço, mãe você não tem preço, mãe eu te agradeço, mãe você pra mim é o melhor exemplo de mãe/mulher.
Eu te amo e o motivo mais forte que existe pra que eu lute e porque você não desistiu de mim.
Cristiane Celeste
Nossa amiga, agora eu fiquei sem palavras... só me restou uma emoção muito grande ao terminar a leitura desse texto tão sincero e tão cheio de gratidão!!! Sempre digo isso: Vc é especial, amiga!!! Bjos
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