segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Educar é doar-se

Essa é a minha homenagem...
Parabéns professores!!!


Era uma vez uma doce e pensativa garotinha que adorava ir à escola. Sua mãe trabalhava e acordava muito cedo. Quase sempre a garotinha não se despedia dela. Todas as manhãs os coleguinhas da rua passavam chamando a menina para a escola, ela desesperadamente levantava, escovava os dentes, calçava os chinelos, pegava os cadernos e a bolsinha com lápis, atravessava duas pistas e suplicava para o porteiro deixá-la entrar, pois o horário de entrada era às 7h15min, mas ela sempre chegava às 7h30min, sozinha e sem tomar café com leite (lanche preferido). Por chegar atrasada não sentava perto do quadro e sentia muita dificuldade. Aprender o que a professora ensinava parecia impossível e quando os coleguinhas tentavam ensiná-la, aprendia. A 1ª série para ela era como um pesadelo, mas todas as manhãs ela estava lá e toda a sua alegria estava concentrada nos coleguinhas. O tempo passava e a época das provas orais chegava então à menina se escondia durante horas no banheiro sempre guardando algumas moedinhas no bolso para que quando um coleguinha, a mando da professora, fosse buscá-la, ela desse as moedinhas e prometesse um lanche (rsrsrs) ... E dava certo! Mas quando chegava a hora da saída, a professora estava lá e falava muitas coisas ruins para a menina. Aprovada pelo conselho, a garotinha vai para a 2ª série e para sua tristeza a professora era a mesma e tudo se repetiu, porém, naquele ano um episódio marcou para sempre a memória daquela criança de 8 anos. O sol não estava forte e ventava naquela manhã. Alunos reunidos na sala e a proposta era uma atividade de matemática. Alguns alunos fizeram e passaram a “cola” para os outros. Só que a professora decidiu chamar um por um e fazer com que o aluno explicasse como fez a tarefa. Quando chegou a vez da menina e ela não sabia, ouvia-se do corredor os gritos daquela professora, ela batia na mesa e esbravejava furiosa, então pegou na mão da garota conduzindo-a a sala da diretora. Sentada no banco que ficava no corredor e ouvindo toda a conversa da professora com a diretora os que estavam lá viram as lágrimas no rosto da criança que sentia- se um lixo, literalmente um lixo. Ela fora chamada de órfã, preguiçosa, incapaz, mas o que mais doeu foi ouvir as mentiras sobre sua mãe (que tanto trabalhava por/para ela), acusações como: abandono e desamor porque nunca estava em nenhuma reunião escolar. Aprovada pelo conselho a aluna chega a 3ª série, gostou muito da nova professora e não apresentou dificuldade alguma. Lembra que ela aprendia com os coleguinhas? Pois é, aprendia mesmo, tanto que com notas medianas foi aprovada e chegou na 4ª série.

O ano era 1997 e aparentava ser apenas mais um, com mais alguma professora que seria boa ou não e sempre com os mesmos coleguinhas (a turma permaneceu unida da 1ª a 6ª série). No entanto, uma senhora de sorriso simpático entra na sala do 4ºA e muda a vida daquela menina. Seu nome era Geni. Suas aulas eram amorosas, educadora atenciosa passava em cada mesa corrigindo as tarefas e sorrindo para os alunos. Todos os desenhos ela apreciava e colocava no mural da sala, adorava beijar a testa dos alunos e tocar levemente seus rostos. A menina e seus colegas sentiam-se muito a vontade, eram compreendidos, apreciados e, por que não dizer, amados. Geni apresentou à turma uma canção, lembrada pela menina até hoje (Caderno-Toquinho). Essa educadora trouxe a esperança para aquela criança que não aceitou usar maconha na 3ª série e escolheu chorar nas escadas e no banheiro da escola quando se sentia sozinha. Essa menina sentia grande gratidão reconhecendo o esforço da mãe. E mesmo não tomando café todas as manhãs e tendo que se responsabilizar por suas idas a escola, a partir da adorável Geni descobriu seu amor pelas letras e adora escrever. Essa menina chama-se Cristiane Celeste.

No ano seguinte, Geni aposentou-se deixando um legado e imensa saudade. O que pretendo deixar com essa história é que: Você escolhe a lembrança que seus alunos terão do seu trabalho. Educar é mais do que ensinar conhecimentos específicos, educar é doação, é doar-se por inteiro "mudando histórias para mudar a história".

Cristiane Celeste

Um comentário:

Quem sou eu

Minha foto
Brasília, DF, Brazil
"Uma pessoa comum que tornou-se especial, em busca do amor a vida".